FORA DA CARIDADE NÃO HÁ SALVAÇÃO

Não entendamos Deus literalmente, mas sim e sempre figuradamente


Às vezes penso que o agnóstico pode estar mais certo do que o teólogo. O agnóstico não é bem ateu. Apenas ele considera Deus ou o absoluto como sendo inacessível ao nosso entendimento. Realmente, se Deus é um Ser infinito, Ele é incompreensível por nossa inteligência finita. O próprio são Paulo, de certo modo, pensa assim também sobre Deus, que ele definiu para os gregos como o Deus ignoto ou desconhecido. “...esse que adorais sem conhecer, é precisamente aquele que vos anuncio.” (Atos 17: 23).

Digo muito que quanto mais falarmos de Deus, mais estamos sujeitos a dizer besteiras sobre Ele. E foi exatamente esse o maior erro dos teólogos do passado, o que os do Terceiro Milênio, com um potencial cultural mais evoluído, deveriam corrigir, libertando o cristianismo das ideias sobre Deus muito próximas das da mitologia.

O Deus dos teólogos antigos está de fato mais para a mitologia e a irrealidade, enquanto que o Deus dos gnósticos está mais para o Deus dos deístas, os quais creem em Deus, mas não têm religião alguma. E há, inclusive, uma tendência mundial para o deísmo, o que lamento, pois a atitude do deísta é de ficar neutro com relação a Deus, ao qual devemos ser gratos e amá-Lo acima de tudo.

Talvez você, leitor, possa pensar que eu esteja sendo incoerente, pois, digo que quanto mais falarmos de Deus, mais estamos sujeitos a dizermos besteiras sobre Ele. Mas estou falando exatamente contra o exagero do que os teólogos têm dito e ainda dizem a respeito de Deus.

Fala-se muito que Deus quis determinado fato. Na verdade é a lei de causa e efeito que funciona. E digo que Deus não quer nada, porque se Ele quiser alguma coisa, o que poderá anular a vontade Dele? E, nesse caso, Deus acabaria com o nosso livre-arbítrio. Até a Bíblia afirma que Deus perdoa. Mas só pode perdoar aquele que é ofendido. E ninguém consegue ofender ou prejudicar Deus. Assim, quando dizemos que Deus perdoa, estamos falando que Ele nos dará condições de sermos perdoados. Diz-se muito que a misericórdia de Deus é infinita. Devemos entendê-la no sentido de que Ele criou todas as condições necessárias para que haja compaixão e perdão para com todos os miseráveis, principalmente morais, que são aqueles que semearam o sofrimento, mas podem receber das suas vítimas a misericórdia ou o perdão do mal praticado.

E, para que essa misericórdia infinita funcione mesmo, nunca podem cessar as condições para que ela continue acontecendo sempre, o que nos leva à ideia da necessidade da reencarnação, sem a qual a misericórdia divina jamais poderia ser infinita. E podemos entender também essa misericórdia infinita de Deus como um exemplo para nós de que nós devemos ser mesmo sempre misericordiosos, pois, como vimos, misericórdia significa também perdão e compaixão. E não foi por acaso que o excelso Mestre disse que devemos perdoar não só sete vezes, mas setenta vezes sete, isto é, sempre.

Muitas coisas, pois, que, literalmente, são atribuídas a Deus, na verdade, figuradamente, dizem respeito a nós mesmos, o que não nos é surpreendente, pois somos e devemos ser semelhantes a Deus!


PS: “Presença Espírita na Bíblia”, com este colunista de O TEMPO, na Rede Mundo Maior de TV e TVCEI, em Guarulhos (SP), por parabólica e internet, às quintas-feiras, às 20h, com reprise às 23h, aos domingos, e às 04h30 das segundas-feiras. E-mails para perguntas e sugestões:penb@redemundomaior.com.br Rede@mundomaior.com.br

José Medrado - Editorial

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