FORA DA CARIDADE NÃO HÁ SALVAÇÃO

Educação para o convívio - 04/07/18


Inegavelmente, a educação é, em última análise, a grande responsável pela conquista de tudo aquilo que vamos incorporando, ao longo da nossa vida, ao que somos, uma vez que nada temos ao nascer, e do que necessitamos como adultos precisamos buscar. Isso quem disse foi o filósofo e escritor suíço Jean-Jacques Rousseau, considerado o Copérnico da educação, que acreditava que o indivíduo nasce fraco, desprovido de tudo. Cabe ao processo educacional, portanto, rechear de conhecimento e de valores aquele cidadão e ajudá-lo a construir bases para a vida adulta.


Falta-nos, assim, nesses dias que correm, uma educação direcionada ao convívio. Estamos, mais do que nunca, deseducados e grosseiros. Desde um simples gesto de cumprimento no elevador, até uma profunda irritação ao sermos contrariados, por exemplo, no trânsito. Parece que perdemos o mínimo esperado para uma vida em convivência: o respeito ao outro.


Nesse capítulo da falta de respeito e intolerância às diferenças vistas no outro, o professor da Universidade de Minho, em Portugal, Licínio Lima afirma que com o acirramento de ideias e ideologias cada vez mais fortes, a tendência é a segregação, a separação entre aqueles que se consideram diferentes, gerando não apenas uma polarização de opiniões, mas, o pior, um afastamento da civilidade, visto que após os conflitos de argumentos, em especial nas redes sociais, pode-se ter a necessidade de confronto cada vez mais agressivo, com resultados imprevisíveis. Uma sociedade que se vê estimulada por seus líderes, nos mais variados segmentos dos formadores de opinião, à desagregação da convivência cidadã está relegada ao empobrecimento das ideias, em processo de pontos de vista desedificantes.


Vejo como equívoco um processo social e até de políticas públicas para apenas a divulgação da existência do pluralismo, mas não vejo resultantes educacionais na promoção da convivência respeitável com os diferentes. Esse, acredito, deve ser o ideal de uma realidade democrática, a serviço de todos e de suas ideias pessoais e de grupo. Toda vez que cada um, cada grupo acreditar que o seu jeito de fazer as coisas, de pensar e manifestar é o único correto e melhor do que os demais, assim como os seus valores e crenças, abre-se mão dos princípios democráticos e se assumem posições fascistas, e a história já mostrou até onde um indivíduo e uma sociedade intolerantes podem chegar. O extremismo é o sintoma mais grave de uma sociedade doente, alguém já disse.


A educação precisa criar estratégias curriculares reais e específicas para o aprendizado de se saber conviver em sociedade, a fim de melhor prepararmos as gerações futuras, pois nós, sei não, está difícil visualizar mudanças.


José Medrado

Mestre em família pela Ucsal e fundador da Cidade da Luz

José Medrado - Editorial

Cristina Barude - Psicografia

Eventos

Auxílio Espírita

Colunistas

Artigos relacionados

Outrora, ser Papa era uma satisfação, hoje, pode ser uma aflição!

No passado, ser papa era bem mais fácil do que hoje. Isso porque as pessoas...
Leia Mais

Mergulho nas profundezas de si mesmo - Psicografada em 25/10/18

O encontro consigo mesmo é uma das maiores e mais fascinantes aventuras! Co...
Leia Mais

Gentileza sem cor - 26/11/18

Marisa Montes em sua música, Gentileza, inicia dizendo que “Apagaram tudo//...
Leia Mais

Massa de manobra - 04/06/18

Nesta manhã de segunda-feira (4), lendo aqui no BNews a manifestação de Líd...
Leia Mais